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1979 - Salen's Lot (Stephen King: Maratona de filmes)


Baseado no segundo livro de Stephen King, A Hora do Vampiro (Salen's Lot, de 1975), esta produção feita para a TV em 1979 tem o mérito de... ser pouco conhecida e pouco assistida por aqui. Quase ninguém a conhece e acho que deveria continuar assim. Desde que li o livro (emprestado pelo velho amigo Rodrigo Teixeira quando ainda estudávamos juntos no CVD), persigo esse filme sem conseguir encontrá-lo: a miraculosa internet resolveu o problema.

Antes não tivesse assistido.

Salen's Lot foi dirigida por Tobe Hooper, diretor de filmes de horror que carrega no currículo o primeiro Poltergeist (clássico de horror que me assustou bastante na adolescência), Força Sinistra (filme originalíssimo que bateu ponto diversas vezes no Supercine) e O Massacre da Serra Elétrica. Este Salen's Lot aqui, porém...

O livro de Stephen King acompanha a volta de Ben Mears à sua cidade natal, Jerusalen's Lot. É quase uma reverência ao Dracula de Bram Stocker e conta como a cidade é transformada, em poucos dias, numa horda de vampiros sedentos.

O filme tenta ser fiel ao livro e erra feio justamente nos momentos em que tenta mudar alguma coisa, como a morte do Dr. Bill Norton - surpreendente e chocante no livro, equivocada e frustrante no filme.

Mas a pior falha é com o Padre Callaham, personagem importantíssimo no livro. Stephen King criou para ele duas cenas poderosíssimas que demonstram a imperiosa força do vampiro diante da fraqueza moral do ser humano, mesmo aquele que deveria ser um guardião da força divina e da fé. O vampiro primeiro o subjuga, mesmo estando o padre defendendo-se dele com um crucifixo: sua fé é falha e sua crença incompleta.

Na seqüência (no livro), o padre tenta se refugiar na igreja, mas já foi amaldiçoado pelo sangue do vampiro. está perdido para sempre, impedido de entrar na Casa do Senhor.

Outra abominação do filme é a caracterização do vampiro à la Nosferatu: uma maquiagem tosca, ridícula e pobre. Mais lembra um rato desnutrido que um vampiro. Suas crias não são melhores; vampiros babões, cheios de trejeitos exagerados e caretas canastronas.


Enfim, o filme é uma bomba chata que se arrasta por três imensas horas (foi produzido para ser uma minissérie, apresentado em capítulos na tevê). O herói vivido por David Soul (do seriado Starsky & Hutch) é chato e forçado, a mocinha de Bonnie Bedelia (a mulher de Bruce Willis em Durto de Matar) é mais chata ainda e não se salva ninguém.


Deviam todos ter queimado no incêndio da cidade, no fim da história.