• Jefferson Sarmento

1980 - O Iluminado (The Shining) - Maratona Stephen King


O Iluminado é mesmo o melhor livro já produzido por Stephen King. Esta afirmação não desmerece, porém, seus outros grandes livros (A Coisa, Dança da Morte, Novembro de 63 - para citar um recente) ou significa que nunca haverá um que o supere. Dito isso, Stanley Kubrick dirigiu a melhor adaptação de um texto de Stephen King em que qualquer outro possa ter colocado as mãos. E King odiou o filme. É, dá pra imaginar porque sem precisar ouvir do próprio autor seus motivos: Stanley Kubrick fez, na verdade, outro filme!, embora seja a mesma estória com algumas várias modificações - explicitamente a morte de Dick Hallorann. Mas não é (só) por isso que este é outro filme...

O Iluminado conta que Jack Torrance (Jack Nicholson) consegue trabalho como zelador num hotel nas montanhas. Tudo o que precisa fazer é cuidar da propriedade gigantesca no inverno rigoroso, por cinco meses, isolados do mundo por uma nevasca impiedosa. entretanto, o Overlook (o hotel) tem seus planos próprios, assombrado e amaldiçoado por assassinatos do passado, fantasmas perversos e loucura crescente. No meio disso, o pequeno Danny, sensitivo, tenta sobreviver e manter-se longe do mal que ronda os intermináveis corredores do hotel.

Kubrick fez um filme denso, mas até certo ponto frio. A cena que melhor explica o filme é aquela em que Wendy (a esposa) e Danny estão brincando no labirinto (outra modificação de Kubrick, essa extremamente feliz e bem colocada) e Jack os observa pela maquete dentro do hotel. Eles correm no labirinto real e nós os vemos como pequenas formiguinhas frágeis e sem chances na maquete sobre a mesa.


The Shining, de Kubrick, é um filme angustiante. Você não o assiste, por um segundo sequer, como um espectador comum, devorando incólume um pacote de pipocas. Ele não te dá tempo, embora seja um filme longo e lento. Ele não te dá alento, embora exista um sorriso de tentativa de felicidade na família de Jack, até perto do meio.

Entretanto, existe pelo menos uma cena que, filmada por Kubrick, perde o impacto explícito do texto. Considero o trecho do livro em que Danny finalmente entra no quarto 237 como o mais (não um dos mais, mas O MAIS) assustador que já li. O suspense e terror implícito, prometido, inexplicado, desconhecido... é inigualável. No filme, embora boa, a cena se perde na evolução constante do pavor que Kubrick constrói aos poucos.

A compensação disso é a cena em que o cozinheiro, o grande salvador do livro, morre. Quem conhece a estória se sente chocado e desesperado ao mesmo tempo. Primeiro pela morte brutal e repentina de Dick Hallorann. e depois: meu Deus! Ele está morto?!

E agora?!



0 visualização

© 2020 Jefferson Sarmento