© 2019 Jefferson Sarmento

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Um Sonho de Liberdade


Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank é o primeiro conto (bem... tem o tamanho de uma pequena novela, como os outros três textos) do livro As Quatro Estações, lançado em 1984. Deste livro também saiu o filme Conta Comigo (Stand By Me), do conto O Corpo. As duas histórias mesclam drama humano e horror real (não há nada de sobrenatural neles, apenas o medo mundano, humano e pragmático com que nos acostumamos a lidar ao longo da vida) com uma força e delicadeza assombrosas, desesperadoras. Narrado em primeira pessoa (em off no filme, com a voz terna e potente de Morgan Freeman), The Shawshank Redemption conta o que aconteceu a Andy Dufresne (vivido por Tim Robbins) ao longo dos anos em que cumpria pena numa penitenciária do Maine, condenado a duas prisões perpétuas pelo assassinato de sua mulher adúltera e o tenista que era seu amante. É uma história de prisão e o enfoque global não é diferente de nenhuma outra história de prisão: medo, violência, arbitrariedade, desrespeito pela vida humana. A beleza da história (tanto do texto quanto do filme) está em como as pessoas se adaptam ao ambiente, por mais perverso que ele seja. E em como algumas, mesmo quando parecem ter descambado para a loucura, nunca perdem a esperança - e podem estar um ou dois passos além de você.

É um filme de detalhes, assim como o livro. Andy cumpriu vinte anos de pena antes... do fim da história e, ao longo dela, trechos e cenas que parecem deslocados (como a foto de Rita Hayworth que ajuda a batizar o conto), sem sentido ou apenas figurativos para mostrar ao leitor/espectador a condição sub-humana dos personagens... revelam-se uma pequena parte do quebra-cabeças final. São um conjunto. E criam com a beleza do sofrimento um final cheio de esperança e quase sobrenatural; a maioria dos filmes de prisão não têm a coragem do final feliz - exceto os de pura ação, onde o velho Swarzza e Stallone-beiço-de-botox precisam se livrar e matar alguns bandidos fardados.

Frank Darabond já havia adaptado o conto dramático A Mulher no Quarto, último texto da coletânea Sombras da Noite (ainda estou devendo essa resenha, mas preciso revê-lo, porque acho que não fui um espectador muito paciente na primeira vez). É um diretor de detalhes que prima pelo drama humano, pelo sentimento que carregamos diante dos eventos (sobrenaturais ou não). E pelas nossas reações. Dirigiu mais tarde The Green Mile também de Stephen King, mas considero Um Sonho de Liberdade sua obra prima máxima. Para ver e rever sempre!

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