• Jefferson Sarmento

Escreva, escreva, escreva


Não existe outra maneira de aprimorar a escrita que não seja... escrevendo.

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Claro que há outras etapas antes de se sentar na frente de uma folha em branco; pra chegar ali, você precisa ter aprendido a ler (e, como eu costumo dizer, ler é bem mais do que unir letras), precisa ter uma bagagem de leitura que te insira no contexto do que realmente é escrever. Também precisa de uma dose cavalar de imaginação, mesmo quando for propor uma tese ou escrever uma matéria enxuta sobre um fato cotidiano - ou extraordinário.

Mas o que faz você escrever com propriedade não está dentro do conhecimento adquirido por horas de leitura - embora livros e mais livros sejam necessários para se chegar até aqui, como artigos, notícias, quadrinhos, bulas de remédio e recadinhos de amor o são; como ler o mundo é necessário.

O que faz você escrever com sua própria voz tampouco é sua capacidade de imaginar mundos ou situações ou pessoas. Estas etapas (ler e imaginar) são anteriores e importantes, essenciais. Mas é exercitar o ato em si, o de escrever, o que realmente faz um sujeito terminar uma história e dizer: ei, gostei disso!

É como encontramos nossa voz, nosso jeito, nosso caminho. Escrevendo é que se aprende a escrever bem. Escrevendo de tudo. E, depois, reescrevendo. Você não pode ser omisso aqui, não pode ser preguiçoso. Tem que se sentar e transformar-se em palavras, debulhar-se nelas, sem perder de vista o que de mais importante sua história (ou artigo, ou tese, ou notícia, ou recadinho de amor) tem, que é o que realmente você quer contar. Não existem palavras bonitas que sobrevivam ao nada, à falta de honestidade com quem está propenso a ler o que você decidiu (ou precisou) dizer um dia.

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Portanto, escreva. Escreva, escreva, escreva. Até que sua voz soe na página em branco com a serenidade, urgência ou medo que você imaginou. Com elegância, se sua história precisa disso. Com receio, se o receio é importante para o seu protagonista. Com liberdade ou clausura, dependendo do que você quer.

Para que o tom de voz da sua imaginação seja um subtexto tão importante quanto suas frases, é preciso chegar ao ponto em que Clarice Lispector queria demonstrar quando disse que "não se faz uma frase; a frase nasce".

Não importa, neste momento, se você acha que seu texto não é o melhor que pode, que poderia. O que importa é escrever, exercitar, malhar sua voz de papel até que ela tenha o corpo que você deseja. Até o ponto que você diga para si mesmo:

Esta aqui é uma história que eu adoraria ter contado.

E eu teria contado exatamente assim.

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© 2020 Jefferson Sarmento