• Jefferson Sarmento

Creepshow!

A Maratona de filmes baseados na obra de Stephen King está de volta com Creepshow, de 1982, uma divertidíssima parceria do escritor com o produtor e diretor de filmes, rei do terror B, George Romero.


Se você não sabe quem é George Romero, vai aqui um lembrete: muito antes de The Walking Dead ser a referência em histórias de zumbis comedores de gente, George Romero fazia seu nome com o clássico A noite dos mortos vivos, de 1968. E fique sabendo que uma lista enorme de bons diretores de filmes fantásticos, que despontaram nos anos 1980, veio diretamente dos sets de filmagem desse camarada.


Acho até que vale uma visita à obra dele num post futuro.


Mas vamos ao primeiro Creepshow, onde Stephen King e George Romero se juntaram para fazer uma homenagem aos quadrinhos da editora Entertaining Comics, especialmente a Cripta do Terror, gibizão com histórias bizarras que fez a infância de Stephen King.


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A história por traz desta produção é que George Romero queria dirigir a adaptação para o cinema de A Dança da Morte, mas como era um projeto beeeem ambicioso, eles resolveram escolher um filme menor para usarem de alavanca de convencimento para arrancar dinheiro de um grande estúdio.


O filme é dividido em 5 historinhas de Stephen King que têm todas as características das HQs encontradas nas revistas de terror dos anos 1950 e 1960. O fio condutor é uma história paralela de um garoto cujo pai violento toma sua revista e joga no lixo.

E olha que bacana: esse garoto é interpretado por ninguém menos que Joe Hill ainda criança, filho do escritor que hoje também escreve histórias de horror e você encontra facilmente nas livrarias em romances como Nosferatu, Mestre das Chamas, A estrada da noite...

O fato é que o moleque tinha uma cara de capeta perfeita, principalmente quando está rindo e espetando agulhas num boneco vudu.



Mas vamos ás histórias:


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"Dia dos pais" conta como o diabólico patriarca da família Grantham, volta do túmulo após 7 anos para se vingar de Bedelia, a filha que o matou. O episódio tem a participação de Ed Harris como o sobrinho que morre primeiro, amassado pela lápide do velho.


"A morte solitária de Jordy Verrill" é estrelado pelo próprio Stephen King no papel de um fazendeiro bobalhão que é contaminado por um meteoro e fica todo coberto por uma planta alienígena. George Romero certamente sofreu mais com o escritor que com seu filho para fazer dele um ator.


"Indo com a maré" conta como um marido traído se vinga da esposa e de seu amante enterrando-os na praia até os ombros. Quando a maré sobe, os pombinhos se afogam. Leslie Nielsen é Richard Vickers aqui, o marido chifrudo, enquanto o amante é vivido pelo Ted Danson. Ele e a esposa traíra voltam mortinhos do mar para vingarem-se do assassino no final.


Em "A Caixa", Stephen King usou seus anos de professor e tirou de uma notícia de jornal a história de um zelador que encontra uma misteriosa caixa sob as escadas do porão de uma universidade. O caixote tem mais de cem anos e veio de uma expedição ao Ártico.


A última e mais grotesca historinha, "Vingança barata", traz E.G. Marshall como o magnata recluso Upson Pratt, um intratável milionário que tem mania de limpeza e é atacado por milhares de baratas dentro de seu apartamento teoricamente impenetrável.


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Creepshow é um deboche terrir imperdível. Pra você assistir dando risadas de nojo e nervosismo. Deve ter passado pelo menos uma centena de vezes no Supercine lá pelo meio dos anos 1980 e teve uma sequência bem bacana alguns anos depois. E agora, em 2019, acaba de sair uma série com a mesma pegada, com aquele mesmo toque de história de terror em quadrinhos dos anos 1950, 1960, com histórias baseadas em contos de horror de vários autores, incluindo o próprio Stephen King, Joe Hill, Josh Malerman, de Caixa de pássaros...


Já assisti a alguns episódios e adorei.


De qualquer forma, Creepshow de 1982, do George Romero, não é o tipo de filme que você assiste e tece comentários inteligentes ou te leva a questionamentos tanto sobre o medo quanto sobre a produção. É um filmezinho terrível que só quer que você se divirta.

Rápido e horrivelmente inocente.



© 2020 Jefferson Sarmento