• Jefferson Sarmento

Gremlins, de Joe Dante

Filmes que inspiraram "Relicário da maldade"

Gremlins é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos – certamente porque o adolescente aqui sempre foi fascinado por essas histórias com um pé na fantasia e outro no cotidiano de cidadezinhas pacatas e fofoqueiras. Veja bem, isso é uma confissão: ambiente a história numa cidade pequena, com personagens bem reconhecíveis (quase ou até caricatos), acrescente um elemento de perigo sobrenatural com um final apoteótico e um herói que ainda há pouco era um sujeito comum (ou mesmo o nerd subestimado) e... ganhou minha atenção.

Participação relâmpago de Spielberg na feira de inventores de Gremlins

O roteiro original de Gremlins foi escrito pelo (então) estreante Chris Columbus com bem mais violência e horror gráficos – capetinhas cortando cabeças, comendo humanos como se fossem hambúrgueres do McDonalds e o pequeno Gizmo (o fofinho Mogwai original) se transformando no tenebroso Stripe. Isso: na ideia original, o Gremlin malvadão era o próprio Gizmo fofinho transformado em diabinho carnicento. Mas Steven Spielberg, como produtor executivo, queria um filme para a família e enxergou no bichinho um elemento com potencial de arrebatar o público. Embora eu seja esse cara que adora filmes de horror, acredito que Gremlins não seria o filme que é (sensacional!) se fosse diferente.

A história começa com Randall Peltzer tentando comprar um presente de natal para o filho Billy. Ele acaba encontrando um Mogwai, esse bichinho com o tamanho e a fofura de um ursinho de pelúcia, numa loja de antiguidades chinesas. Claro que o velho dono da loja não vai vender o animal, porque ele demanda de grandes responsabilidades! Mas o neto do sábio chinês acaba fazendo a barganha, escondido do avô, por duzentas pratas.


As "três regras" são apresentadas pela primeira vez nesse momento. Não preciso lembrar

que, numa história qualquer, a graça está no momento em que as regras são quebradas, então elas são repetidas com esmero e cuidado para que você as decore e já anteveja o pior.

São elas:


- Um Mogwai não pode entrar em contato com a água;

- Mantenha-o longe da luz forte; e...

- Não importa o quanto ele chore, o quanto ele suplique, nunca, NUNCA o alimente após a meia-noite.


Bem, Randall leva o pequeno Gizmo para casa, entrega para o filho Billy e a cidadezinha de Kingston Falls vira palco de uma invasão Gremlin. Eu sei que a essa altura do campeonato o mundo já viu esse filme uma dezena de vezes e sabe a história de ponta cabeça – Billy molha o Gizmo sem querer, o bicho se reproduz em outros Mogways que, por sua vez, alimentam-se depois da meia-noite e se transformam em horrendas criaturinhas carnívoras, arruaceiras e cruéis, mas engraçadas.

O final revela um herói diferente daquele que você prevê o tempo inteiro, que seria Billy salvando a cidade e sua namorada Kate, a lindíssima atriz Phoebe Cates, que desapareceu do mundo artístico depois de se casar com o ciumento Kevin Kline – sim, estamos falando de um caso real em que um marido famoso tolhe a carreira da esposa por ciúme machista; pelo menos é essa a versão oficial encontrada em qualquer site de fofoca de famosos. Tá certo, você não está aqui pra ler sobre tretas sexistas de artistas gringos, mas saiba que Phoebe Cates tem uma loja de grife em Nova Iorque e que (reza a lenda) ela própria atende aos clientes na movimentada Blue Tree da Madison Avenue. Corre lá pra tentar um autógrafo.

Seja como for, Gremlins é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e foi dirigido por Joe Dante – aquele que dirigiu Piranha em 1978, a melhor cópia tosqueira de Tubarão (1975) do mesmo Steven Spielberg que foi produtor executivo aqui. Os dois haviam trabalhado juntos em “No limite de realidade” (Twilight Zone: The Movie, de 1983) e Spielberg entendeu que Joe Dante seria o cara ideal para Gremlins. E eu acho mesmo que foi.

Este foi um dos filmes que revi enquanto escrevia “Relicário da maldade”, não apenas por ser um filme da década de 1980 (época em que se passa a história do meu livro), mas pela aura de cidadezinha pacata atormentada por criaturas estranhas. Portanto, se você já leu ou pretende ler “Relicário da maldade”, eu te sugiro uma visita ao passado com Gremlins na tela da TV, um balde de pipoca com refrigerante no colo e nostálgicos 106 minutos para rir!

Bom filme!


© 2020 Jefferson Sarmento