• Jefferson Sarmento

O Conde Drácula (Scars of Dracula - 1970)

Atualizado: há 4 dias

Espantos, assombros e um balde de pipoca:

Os filmes filmes que me fizeram apaixonado pelo terror!

Para começo de conversa, Scars of Dracula é um dos melhores filmes da série com o vampirão de Christopher Lee – o que significa que, para a época, era um filme de horror bastante violento, sanguinário e bruto. Infelizmente, àquela altura os filmes da Hammer já perdiam espaço para as fitas de horror americanas, tornando a fórmula do vampiro atrás da noiva do mocinho já bem desgastada e chata.


O filme começa com o Conde sendo ressuscitado por um morcegão que cospe sangue sobre seus restos numa tumba secreta do castelo. O animalzinho de estimação de Drácula (que reaparece em vários momentos ao longo do filme, entrando em igrejas e arrancando crucifixos dos colos decotados das donzelas para abrir caminho para o capiroto) é uma atração à parte: um tosquíssimo boneco de pano chacoalhado no ar por fios de nylon aparentes e frustrantes, mas era o que tínhamos para o momento.


– Ei! Tem certeza de que esse filme devia estar numa lista de fitas importantes do horror?


– Olha, a gente assistia a essas pérolas em televisores de vinte polegadas, cuja definição era a de uma foto 3x4 pixelada ao tamanho de um outdoor. Então fique quieto e ouça o que eu tenho para dizer.


Aliás, já que me interrompeu, vamos dar uma pausa aqui: preciso que você se lembre daquela madrugada, logo depois do fim de “A Sentinela dos Malditos” (se não se lembra o link para o post sobre esse filme está AQUI), tendo meu pai ido dormir e me deixado na sala com o vampirão de olhos injetados. Vou chutar que tivesse uns sete anos. Oito, se muito. Pois bem, eu estou sozinho ali e...

Depois que uma moça é encontrada com as mordidas do vampiro no pescoço, os aldeões seguem para o castelo e queimam tudo, enquanto Drácula descansa incólume em seu covil, alcançado somente por uma janelinha no meio do precipício. Acreditando terem tido sucesso, os aldeões voltam para a vila apenas para descobrir que as mulheres (todas as mulheres da cidadezinha) haviam sido mortas horrendamente em sua ausência.

Corta para o jovem Paul Carlson, picareta aproveitador de mocinhas incautas que precisa fugir da polícia depois que uma alta autoridade da cidade grande descobre que ele se prevaricou com sua filha – a santa do pau oco acusa o rapaz de ter tentado abusar dela! Cenas de fuga a cavalo, a pé, no meio de uma festa, o meliante cai numa carruagem que atravessa cidades... Encurtamos para quando ele acaba no castelo (quase) abandonado do Conde e... morre, claro.


Simon Carlson, irmão do safardana, segue para a vila amaldiçoada com a noiva (que tem uma quedinha bem pouco velada pelo cunhado canalha) para procurá-lo e se envolve também com o vampiro. O filme segue nesse vai e vem, olhares atravessados de Christopher Lee fazendo caretas e bocarras, seu capanga Klove (bem ao estilo corcunda manco que ajuda o cramulhão) apaixonando-se pela mocinha e saboreando o dilema de obedecer ao mestre ou salvar sua amada...


E um final meio Deus ex Machina.

Mas se você ainda está se lembrando de que eu era garoto quando assistia a esse filme, sozinho na sala, de madrugada, vai ter uma boa ideia do tamanho do impacto que ele teve para mim. Tanto que passei a seguir os filmes de vampiro que passavam nas madrugadas. Sempre havia um. Alguns deles ainda não consegui assistir novamente – havia tantas cópias e filmes de vampiros naquele período entre 1960 e 1970, reprisados nas sessões corujas perto da virada para a década de 1980, que os nomes e cenas se confundem, misturam-se num banho de sangue, vampiras voluptuosas e seminuas, trilhas sonoras datadas e vilas que só retornariam ao cinema quando John Landis colocou David Naughton e Griffin Dunne para correr de uma criatura meio homem e meio lobo nos confins rurais da Inglaterra.


Mas esse aí é outro filme e falaremos do lobisomem americano em Londres mais para frente. Para o próximo filme dessa lista, vamos falar de quando foi que eu me livrei dos vampiros da Hammer e descobri Steven Spielberg numa sessão dos Campeões de Bilheteria da TV Globo!


Semana que vem.




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